Por Vinicius Sales / Gazeta do Povo 
Economia patinando, cortes no Bolsa Família, falta de entregas e os reveses na agenda ambiental aceleraram o fim da lua de mel da população com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive no seu principal reduto eleitoral do PT, o Nordeste. A mais recente pesquisa do instituto Ipec, publicada na sexta-feira (6) pelo jornal O Globo, mostrou que a aprovação do petista na região caiu de 55% para 45% desde abril.
No cenário nacional, também houve oscilação negativa: 40% dos entrevistados reprovaram a gestão do petista. Em abril, a reprovação foi de 37% e em março, de 35%. Ainda de acordo com o Ipec, 37% dos entrevistados avaliam o governo como “ótimo” e “bom”. Essa é a menor porcentagem obtida por Lula, se comparada com o seu primeiro mandato, em 2003, quando recebeu 43% de avaliação positiva e 48% no segundo, em 2007.
Os números seguem na esteira de diversos acontecimentos que mostram uma certa desidratação do governo em múltiplas frentes. Na quarta-feira passada (7), por exemplo, Lula foi vaiado e chamado de ‘ladrão’ ao participar da Bahia Farm Show, a maior feira agrícola do Norte e Nordeste do país e a segunda maior do Brasil. É importante ressaltar que o estado é governado pelo PT e durantes as eleições de 2022 entregou 72% dos votos ao chefe do Executivo.
O recente corte feito pelo governo no programa Bolsa Família, carro chefe da campanha petista, é um dos fatores que podem explicar a queda de popularidade de Lula na região.
Em abril, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome anunciou um pente fino no programa, suspendendo o benefício de 1,2 milhão de pessoas que informaram morar sozinhas – os cadastros “unipessoais”. O argumento era de retirar os “cadastros irregulares”.
No dia 26 do mesmo mês, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, estimou que o Executivo cortaria até 5,5 milhões de cadastros "unipessoais". O cálculo era de que seriam economizados até R$ 7 bilhões por ano.
De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do Ministério do Desenvolvimento Pessoal, o programa registrava 21,9 milhões beneficiários antes dos cortes. Desse total, mais de 12 milhões estavam concentrados nas regiões Norte e Nordeste.
Devido aos altos índices de desemprego e pobreza no país, o programa se enraizou. Dos 27 estados da federação, 13 possuem mais dependentes do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. O estado que mais se destaca é o Maranhão, com 1.255.565 dependentes e 580.556 trabalhadores.
Outros eventos que marcaram os cinco primeiros meses do governo Lula também ajudam a explicar a queda da popularidade: alta no desemprego, volto dos impostos na gasolina, a ameaça de taxação de varejistas chinesas, desarticulação no Congresso para aprovação de pautas e a piora no cenário econômico.
Desemprego no Nordeste
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou em maio que a situação econômica para nordestinos é grave. A taxa de desemprego do primeiro trimestre chegou a 12,2% na região, mais que o dobro do que foi registrado no Sul no mesmo período (5%) e 1,2 ponto percentual a mais do que no trimestre anterior, encerrado em dezembro de 2022.
O número é maior que média nacional, que registrou 8,8% no primeiro trimestre deste ano. Ao todo o país registra 9,4 milhões de brasileiros no desemprego.
Nesse contexto, dois estados do Nordeste registraram as maiores taxas: Bahia (14,4%) e Pernambuco (14,1%).

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